Doenças de Coluna

Escoliose do Adolescente

Escoliose do Adolescente

 

A coluna vertebral é composta de estruturas (vértebras, discos, musculatura, ligamentos) dispostas de modo complexo, com a finalidade suporte de peso e proteção. Durante a evolução do Homem, as mudanças posturais adquiridas foram sendo "repassadas" ao formato da coluna, adquirindo essa um formato que permite a mecânica envolvida nas nossas atividades diárias. Na medida que começamos a andar a coluna adquire o formato habitual do adulto, com 4 curvaturas  no plano sagital (visto de lado) e um alinhamento sem curvatura no plano frontal (visto de frente).

 

A deformidade mais freqüente na coluna é a escoliose, condição que pode acometer pacientes de todas as idades, e sexo, mas acomete preferencialmente adolescentes mulheres. A coluna adquire um desvio nas curvaturas naturais, o que pode levar ao desequilíbrio funcional. O desvio mais frequentemente observado é no plano frontal, quando olha-se o paciente de frente e nota-se uma inclinação da coluna para um dos lados. São os sintomas mais frequentes de escoliose:

• Desvio da coluna para um dos lados, sendo referido geralmente como "andar torto", ou "andar inclinado para o lado", ou mesmo "coluna em S, ou C";

• Diferença da altura dos ombros, com um ombro mais elevado;

• Aumento das costelas, ou lombar, chamado "giba",com abaulamento local;

• Afastamento de um dos braços em relação ao corpo, ficando um "espaço" entre o braço e o tronco

• Dor: essa dor geralmente é difusa e mecânica (associada a esforços). Pode ser ocasionada por desequilíbrio muscular e falha na biomecânica da coluna. Na maioria das vezes a dor surge na fase tardia, quando as musculaturas já apresentam alterações, não sendo o principal sintoma observado.

 

Existem diversos fatores que podem causar esta deformidade, como mal formação durante gestação (congênita); distrofias musculares e outras paralisias que causam fraqueza (escoliose neuro-muscular); e a mais comum, a idiopática, que significa “sem causa aparente”. A escoliose idiopática do adolescente é mais frequente quando já existem casos na família, devendo ser procurado o médico para análise do quadro e diagnóstico adequado quando suspeita.

 

 O diagnóstico é mais comum na pré-adolescência devido ao estirão do crescimento (fase de crescimento rápido). Geralmente, utilizam-se radiografias, tomografias e ressonâncias, sendo as radiografias as mais utilizadas.  É realizada uma análise com um métido chamado Cobb, que calcula o grau de deformidade e a sua angulação.

 

É importante compreender que a piora da escoliose está relacionada ao crescimento e a gravidade da curva.  Pacientes com "esqueleto maduro" (já completaram a fase de crescimento, ou são adultos) apresenta uma piora lenta da escoliose, geralmente próximo a 1 grau por ano nos casos mais graves. Já os pacientes jovens com grande potencial de crescimento apresentam um risco muito maior de agravo da doença, podendo chegar a 5-10 graus de piora em um único ano. As curvas leves (<20 graus) tem menor possibilidade de piora quando comparados aos casos moderados (>20 graus), ou até mesmo graves (>40 graus).

 

É necessária uma avaliação global do paciente, com análise do grau da curvatura da coluna, inclinação dos ombros, equilíbrio postural na marcha, qualidade da musculatura, abaulamentos e deformidades no tronco como as "gibas costais, e lombares", possível diferença entre o comprimento das pernas, entre outros fatores decisivos na escolha do tratamento adequado.

 

A observação e a reabilitação (como fortalecimento, escolas de coluna, fisioterapia, exercícios para a coluna) são o tratamento de escolha nos casos leves. Os coletes são utilizados nos casos de escoliose moderada, sendo a identificação precoce (ainda na pré-adolescência) fundamental para o tratamento, pois assim que o crescimento termina o colete perde a eficácia. O tempo de uso do colete também é importante, recomendando-se o período mínimo de 20 horas por dia, sendo removido durante a higiene e para períodos de atividade física, dando preferência para atividades aeróbicas, de flexibilidade e fortalecimento.

 

É importante salientar que o colete não tem como finalidade a correção da escoliose (corrigir o desvio e deixar a coluna "reta"), ele irá apenas estabilizar a curvatura para evitar que ela piore durante o crescimento. Isso é de fundamental importância, uma vez que sabe-se que ao atingir 40 graus o risco de piora da curva é alto, e ao atingir a marca de 50 graus o colete não terá mais função.

 

Quando o desvio piora rapidamente, ou é maior de 50 graus, a cirurgia pode ser indicada. A cirurgia consiste nas osteotomias (cortes nos ossos), liberações complexas musculares e ligamentares, colocação de enxerto ósseo e estabilização da coluna com artrodese, permitindo a correção da curvatura e fixação da mesma. Várias técnicas podem ser utilizadas e diversos mecanismos de fixação existem, devendo ser discutidas com o médico no momento da indicação, bem como os benefícios e riscos cirúrgicos do procedimento escolhido.

 

Os objetivos do tratamento da escoliose são impedir o agravamento da doença, reduzir a deformidade (o quanto for possível) e restabelecer o alinhamento e o equilíbrio da coluna. Os resultados são individualizados caso a caso, podendo variar a resposta individualmente (dor, capacidade de retorno as atividades habituais, possibilidade de recidiva da escoliose ou surgimento nova deformidade).

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