Doenças de Coluna

Fraturas da Coluna

Fraturas da Coluna

 

               A coluna vertebral é submetida a esforços contínuos durante todo o dia. Ela suporta o peso corporal durante os nossos movimentos de caminhada, agachamento e corrida. As principais forças que atuam na coluna são a compressão e a distração, sendo a carga compartilhada pelas diferentes estruturas de sustentação (vértebras, discos, articulações e musculatura). As fraturas ocorrem quando as forças que estão agindo nas vértebras são maiores do que a resistência do osso, entrando esse em colapso e 'quebrando".

               Quando a resistência das vértebras diminui muito, pequenos acidentes (até mesmo atividades normais do dia a dia) podem causar fraturas. Essas são consideradas "fraturas patológicas", pois a vértebra já apresentava alguma doença anteriormente a fratura. As causas mais comuns de fratura patológica são tumores, infecções e osteoporose. Esse artigo tratará das fraturas convencionais da coluna.

               Traumas e acidentes são as principais causas de fratura devido a grande quantidade de energia que é envolvida, e consequentemente grande magnitude de forças que acometem a coluna. Os casos mais comuns são queda de altura (telhado, escadas), mergulho em água rasa e acidentes automobilísticos. Nessas situações é fundamental a avaliação global do paciente, uma vez que a energia do trauma pode ter ocasionado outras lesões associadas como lesões abdominais, pulmonares, fraturas múltiplas e TCE (trauma cranio encefálico).

        Os sintomas das fraturas da coluna dependem da gravidade da lesão, podendo ser percebidas como dores leves que não dificultam a movimentação, ou até mesmo incapacidade total de movimentação pela dor intensa. Pela proximidade das estruturas nervosas com as vértebras, as fraturas da coluna podem acarretar lesão neurológica por compressão e estiramento. Quando o acidente causa uma lesão neurológica, o paciente pode desenvolver trauma raquimedular (paraplegia ou tetraplegia) permanente, ou apenas um déficit temporário, com dores, formigamento e fraqueza no nervo acometido.

              Uma vez estabilizado o paciente e avaliado as possíveis lesões vitais, inicia-se a avaliação para o tratamento adequado da fratura da coluna. São utlizadas avaliações clínicas específicas, exames adicionais como radiografias, tomografias e ressonância, bem como análise do quadro geral do paciente e da disponibilidade local dos tratamentos existentes. É imperativo que o médico especialista faça a avaliação do paciente, para confirmar o diagnóstico e determinar os tratamentos que serão realizados caso a caso.

               O tratamento de fratura da coluna depende de algumas características da vértebra (integridade óssea residual , capacidade de suportar o peso do corpo, estabilidade da parede e canal vertebral) bem como características individuais do paciente (doenças como diabetes, hipertensão, risco cardíaco) e quadro neurológico. O intuito do tratamento é a "estabilização da coluna", evitando novas lesões e permitindo ao organismo realizar a consolidação da fratura. Esse processo de consolidação pode levar de 2-6 meses dependendo da gravidade do quadro.

               De modo geral, as fraturas mais simples envolvem parcialmente a vértebra acometida, permanecendo a capacidade de suporte de peso preservada. Assim não há necessidade de uma fixação mais rígida ou cirúrgica. Geralmente nas fraturas simples o tratamento utilizado inclui repouso, uso de coletes (nem sempre necessários), sempre acompanhado de reabilitação, fisioterapia e eventualmente exercícios para a coluna.

             Os casos em que a vértebra é danificada e perde parcialmente a capacidade de suporte de peso (lesão moderada) necessitam de uma estabilização mais rígida. Essa estabilização pode ser conseguida através de coletes rígidos, geralmente sob medida ou pré moldados. Eventualmente a fratura necessita intervenção cirúrgica para a sua adequada estabilização.

               Casos graves em que a instabilidade da coluna é severa, apresentam lesão neurológica ou risco iminente disso, são tratados cirurgicamente. Existe hoje uma diversidade de tratamentos cirúrgicos que podem ser utilizados para a fixação temporária da fratura ou eventualmente artrodese da coluna. Cirurgias convencionais podem ser utilizadas, bem como técnicas minimamente invasivas. A escolha da técnica a ser utilizada é importante pois pode modificar o tipo de reabilitação pós cirpurgica que o médico irá escolher. Discutir com o médico as opções de tratamento, riscos e benefícios, é fundamental para o engajamento do paciente na doença e na recuperação.

              

 Mergulho em água rasa:

               Esse tópico merece destaque, sendo alvo de múltiplas campanhas dos serviços de saúde, principalmente pela gravidade das lesões provindas desse tipo de acidente e pela possibilidade de ação preventiva. O "mergulho em água rasa" decorre da queda, intencional ou não, do paciente em leito d'água insuficiente e com postura inadequada. A maioria dos acidentes ocorre em profundidade menor que 1.5 metros, em brinquedos aquáticos (bolha, tobogã, bóias e corredeiras) e em pacientes jovens (média de 21 anos!). A gravidade dessa lesão é extremamente alta, geralmente acarretando fraturas complexas da coluna e com grande risco de tetraplegia.

                                           

               O melhor tratamento para esse tipo de lesão é a prevenção:

1. Cuidado ao nadar em leito de rios, cachoeiras, mar e lagoas, em que a profundidade e a força d'água é variável e aumenta o risco de lesões.

2. Cuidado ao utilizar parques aquáticos e brinquedos d'água, sempre respeitando as normas de segurança e utilizando o bom senso.

3. Não se arrisque desnecessariamente. Alguns acidentes ocorrem por que as pessoas se expõem aos riscos por "brincadeiras e provocações", ou para impressionar colegas.

4. Não consuma bebida alcoólica quando for nadar. A maioria dessas lesões estão associadas ao consumo de bebida, bem como os afogamentos e outros acidentes aquáticos.

 

 Fontes:                    

  • Mergulho em águas rasas e lesão medular: uma abordagem educativa e preventiva Diving in shallow waters and spinal cord injury: a preventive and educational approach Scientia Medica, Porto Alegre: PUCRS, v. 15, n. 2, abr./jun. 2005
  • Projetos diretrizes 2007 - Lesões Traumáticas da Coluna Torácica (T1-T9), Toracolombar (T10-L2) e Lombar (L3-L5).
  •  Projetos diretrizes 2007 - Lesões Traumáticas da Coluna Cervical (Cervical Alta – C1 e C2, e Cervical Baixa – C3 a C7)

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