Doenças de Coluna

Hernia de Disco

Hérnia de Disco

 

O disco intervertebral é uma estrutura que auxilia a coluna na acomodação durante os movimentos, permitindo que o peso do corpo seja distribuído de modo controlado, protegendo tanto as vértebras quanto o sistema nervoso que localiza-se na sua proximidade. Ele é composto principalmente por 2 porções:

Núcleo pulposo: centro ""gelatinoso" do disco. Apresenta maior proporção de água e proteínas (proteoglicanos e colágeno) e tem uma boa resistência a compressão, sendo macio e flexível;

Ânulo fibroso: região periférica do disco. Apresenta fibras dispostas em camadas (semelhante a uma cebola, ou barril de madeira) que atuam durante a compressão, contendo o núcleo e impedindo o seu extravazamento.

 

A hérnia de disco é uma doença da coluna que acomete o homem e a mulher - sem diferenças entre sexos - em torno de 35 anos de idade, de caráter degenerativo. Com a diminuição progressiva de água e proteoglicanos, ocorre a desitratação (ressecamento) do disco e consequentemente a diminuição da resistência aos movimentos. Quando o ânulo fibroso se rompe, o núcleo pulposo é expelido, dando origem a hérnia de disco. Esta ruptura no anel fibroso provoca dor nas costas e o disco saliente pode comprimir o nervo das proximidades, causando inflamação local e os sintomas típicos:

 

Lombalgia, cervicalgia e dor irradiada: Dor de intensidade variável e difusa, em queimação ou choques. Essa dor também pode ser sentida na coluna e no trajeto do nervo acometido (perna, coxa e glúteos em casos de "ciático" e braços ou escápula em casos de nervos do plexo cervical).

 

 

Limitação do movimentos: Principalmente os movimentos de flexão e extensão da coluna. Como o processo inflamatório chega a ser intenso, pode ocorrer contratura anormal da musculatura, na tentativa de redução da dor e da inflamação, podendo levar a desvios e deformidades.

Imagem Ilustrativa De Hernia de Disco

 Perda de função: Pode ser em resposta a própria dor que limita os movimentos, ou em casos mais severos por alteração neurológica. Nessa situação o nervo pode parar de funcionar pela estenose vertebral, levando a perda da capacidade de mexer o braço ou perna afetado, ou diminuição da força e incapacidade funcional.

 

 

Formigamentos e disestesia: Ocorre quando a compressão atrapalha as funções de sensibilidade do nervo que para de sentir uma determinada região do corpo (formigamento ou anestesia), ou eventualmente começa a sentir essa região de modo incorreto, interpretando situações comuns como situações de dor (o simples toque da pele pode ser sentido pelo paciente como agulhas ou choques). Geralmente acomete as pernas ou braços, dependendo da localidade da hérnia de disco.

 

Imagem Ilustrativa de Hernia Lombar

 

 

O diagnóstico da hérnia de disco é feito a partir da análise clínica do paciente e com exames físicos especiais realizado pelo médico. Geralmente utiliza-se os exames de imagem em quadros atípicos, crônicos, pós e pré operatórios, ou em casos selecionados mais severos (disfunção motora, estenose vertebral crítica ou dor muito intensa). Muitas vezes os exames sofisticados (ressonancia, tomografia) mostram alterações que não são a causa da dor do paciente, podendo confundir o tratamento médico e gerar ansiedade desnecessária no paciente. Deve-se considerar que, nos quadros clássicos de radiculopatia, o resultado do exame de imagem pode não modificar o tratamento indicado pelo seu médico, e por isso algumas vezes não é necessário a realização de exames adicionais.

 

           

O tratamento para hérnia de disco normalmente é conservador e envolve uso de medicamentos, repouso, fisioterapia, e reabilitação com exercícios para a coluna, com a maioria dos pacientes (85%) obtendo bons resultados. As atividades físicas devem ser reduzidas no momento da crise de dor, para obter a melhora da inflamação e cicatrização do disco, podendo ser retomadas após a fase aguda. O engajamento do paciente melhora o resultado do tratamento, devendo ser estimulado nas consulta médicas e multiprofissionais (escola de coluna). Pacientes que  se dedicam ativamente a recuperação, apresentam melhoras ainda mais significativas, retornando mais cedo às atividades diárias.

Outras opções de controle da dor podem ser indicadas pelo médico, como as rizotomias, infiltrações e bloqueios radiculares, realizados na área da raiz do nervo afetado para diminuir o inchaço e a irritação causada pelo disco.

 

A cirurgia geralmente é a excessão dentro dos tratamentos possíveis. O tratamento cirúrgico tem indicação relativa após a falha no tratamento conservador pelo período de 6 a 12 semanas. Algumas situações (raras) podem ter a cirurgia indicada imediatamente, como na piora progressiva motora e na síndrome da cauda equina (perda aguda da força em ambos os membros inferiores, com anestesia na região genital e perianal e perda do controle intestinal e urinário).

 

Diversas são as técnicas utilizadas para o tratamento cirurgico da hernia de disco. Como princípio que norteia o tratamento,temos a remoção do fragmento do disco que está comprimindo o nervo, seja raíz ou medula. Quando não for possível a remoção desse fragmento, pode-se realizar apenas a descompressão vertebral, que permitirá a livre movimentação do nervo e o afastará da hérnia de disco.

 

A cirurgia para hérnia de disco lombar clássica é a remoção parcial do disco (microdiscectomia), que consiste na ressecção do fragmento de disco herniado, com proteção e retração do nervo que está comprimido. A microdiscectomia pode ser aberta (cirurgia convencional ou minimamente invasiva) ou fechada, através da cirurgia endoscópica, ficando a critério do cirurgião caso a caso. Alguns casos lombares mais severos, quando associadas alterações como instabilidades, deformidades, espondilolisteses, pode ser necessária a artrodese de coluna, porém a grande maioria das situações consegue-se realizar o tratamento sem a necessidade da mesma.

 

 

Imagem ilustrativa de Hernia Cervical

 

Em contrapartida, as hérnias cervicais geralmente são tratadas  com remoção do disco e artrodese, devido as características funcionais locais e resultados satisfatórios já consagrados. Pode-se optar pela realização da prótese de disco, ou a remoção parcial do disco (microdiscectomia) cervical, tentando preservar o movimento e diminuir o desgaste dos segmentos próximos a cirurgia. Essas técnica exigem experiência do cirurgião e apresenta uma dificuldade maior comparada a técnica habitual. Para a definição do tratamento adequado, riscos e complicações, deverá ser discutido com o médico especialista a gravidade da hérnia e os aspectos individuais do paciente, caso a caso.

 

 

Imagem Ilustrativa de Ava Cervical

 

As cirurgias para hérnia de disco apresentam índice de recidiva em torno de 10% (nas discectomias lombares) segundo diversos trabalhos científicos. Espera-se com a cirurgia da coluna a melhora da dor, a recuperação da função do nervo acometido e o retorno as atividades habituais, porém sabe-se que são vários os fatores que influenciam a reabilitação pós cirúrgica, podendo os resultados serem parciais e frustarem expectativas mais otimistas. Toda cirurgia deve ser analisada quanto aos riscos e benefícios, e amplamente discutida e indicada pelo médico de confiança.

 

  Fonte:

  • Nass evidence-based clinical guidelines for muldisciplinary spine care - Diagnosis and Treatment of Cervical
  • Radiculopathy from Degenerative Disorders
  • projetos diretrizes - Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem – 2007
  •  The Cochrane Collaboration. Published by John Wiley & Sons, Ltd. - Surgical interventions for lumbar disc prolapse (Review)

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