Doenças de Joelho

Lesão do Ligamento Cruzado Anterior - LCA

LESAO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR (LCA)

 

            A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das lesões ligamentares mais comuns do joelho (1,2).  Existem mais de 2.000 estudos publicados acerca deste ligamento, sendo este o ligamento mais estudado do corpo humano.(2) Na Alemanha a incidência de lesão ligamentar ocorre em 30 pacientes a cada 100.000habitantes da população geral, sendo 2 x mais frequentes em atletas do que na população geral(3). Nos EUA anualmente ocorrem cerca de 200.000 lesões do LCA e são realizadas aproximadamente 100.000 cirurgias de reconstrução do LCA.(4,5). Estes dados enfatizam a elevada frequência deste tipo de lesões e a importância da necessidade de um tratamento adequado.

             A lesão do LCA ocorre quando o ligamento é forçado além da sua aptidão elástica, podendo ocorrer uma ruptura parcial ou total. As lesões ligamentares podem classificar-se em grau I, II e III. Na lesão de grau I existe uma lesão ligamentar ligeira, um estiramento, mantendo-se a estabilidade da articulação. Na lesão de grau II ocorre já uma ruptura parcial das fibras do ligamento, originando um ligamento frouxo. Por último, as lesões de grau III caracterizam-se por uma ruptura total do ligamento, causando assim instabilidade articular.(8)

             Apesar da evolução natural da lesão do LCA ainda não estar completamente determinada, acredita-se que a instabilidade anterior progrida para lesões degenerativas meniscais e comprometa o desempenho dos indivíduos durante a atividade física.(7)

 

 DIAGNÓSTICO:

             O diagnóstico baseia-se na história e no exame clínico do joelho. Habitualmente, os pacientes portadores de lesão do LCA costumam apresentar dor, edema, sensação de instabilidade no joelho (falseio), sensibilidade ao longo da interlinha articular, desconforto ao caminhar e perda da amplitude de movimentos.(6)

             A suspeita de lesão no LCA deve levar o ortopedista a realizar um exame físico completo do joelho, testando todas as estruturas do joelho lesionado e comparando com o joelho saudável. Podendo assim diagnosticar a maioria das lesões ligamentares.(9). Exames complementares podem ser solicitados para confirmação diagnóstica.

  

TRATAMENTO:

             De uma forma geral, o tratamento conservador é utilizado nas rupturas parciais, sendo que nas rupturas totais opta-se pelo método cirúrgico ou conservador.(10) Assim, o doente e o médico podem optar por um tratamento cirúrgico ou não-cirúrgico/conservador, dependendo de vários fatores como: idade, extensão das lesões associadas, a disponibilidade para realizar um programa de reabilitação e o estilo de vida do paciente.(3, 7).  Em estudo com 4355 joelhos com lesão do LCA a maioria dos pacientes (94%) foram submetidos à reconstrução do LCA, sendo os restantes tratados conservadoramente. Este estudo evidenciou que ambos os tratamentos são eficazes quando analisadas as características particulares de cada paciente.(11)

 

 CIRURGIA:

             O período mais apropriado para a realização do tratamento cirúrgico é ainda controverso, mas no caso de lesão aguda a cirurgia é realizada após um período de 4 a 6 semanas.(12).

            O tratamento cirúrgico mais utilizado consiste na reconstrução intra-articular por via artroscópica através de enxertos autólogos, os enxertos mais utilizados provêm do tendão patelar e dos tendões flexores (semitendinoso e gracil) (14,15). A escolha do enxerto vai depender da técnica empregada pelo cirurgião e da avaliação caso a caso. Trabalhos recentes mostram equivalência no resultado cirurgico do uso dos tendões flexores e tendão patelar como enxerto.

 

 COMPLICAÇÕES:

             Como todas as cirurgias, a recosntrução do LCA apresenta riscos associados, tais como: infecção (é um risco inerente a qualquer cirurgia), trombose venosa, rigidez (a cicatrização restringe a capacidade de dobrar e esticar o joelho), instabilidade do joelho e recidiva da lesão (a instabilidade pode dever-se à ruptura ou alongamento do LCA reconstruido) e hemorragias (a hemartrose é um dos problemas mais comuns, mas menos graves).(13,14,15,16,17)

 

 referencias bibliograficas:

  1. Ritchie JR, Parker RD. Graft selection in anterior cruciate ligament revision surgery. Clin Orthop, 1996; 325:65–77.
  2. Frobell RB, Roos EM, Roos HP, Ranstam J, Lohmander LS. A randomized trial of treatment for acute anterior cruciate ligament tears. N English J Med, 2010; 363(4): 331-42.
  3. Voigt C, Schonaich M, Lill, H. Anterior Cruciate Ligament Reconstruction: State of art. European Journal of Trauma, 2006; 32:332-39.
  4. McDaniel WJ Jr, Dameron TB Jr. The untreated anterior cruciate ligament rupture. Clin Ortho Relat Res, 1983; 172:158–63.
  5. Duthon VB, Barea C, Abrassart S, Fasel JH, Fristchy D, Menetrey J. Anatomy of the anterior cruciate ligament. Knee Surg Sports Traumatol ARthrosc, 2007; 14(3):204-13. 
  6. Kjaer M et al. Compêndio de medicina desportiva. Ciência básica e aspectos clínicos da lesão desportiva e da actividade física. Instituto Piaget, 2003.
  1. Romano VM, Graf BK, Keene JS, Lange RH. Anterior cruciate ligament reconstruction. The American Journal of Sports Medicine. 1993;21(3):415-8.
  2. Gould JA. Fisioterapia na Ortopedia e na medicina do Esporte. São Paulo: Manole, 1993: 293-322.
  3. Proença A. Ortopedia traumatologia: noções essenciais. Imprensa da Universidade, 2008.
  4. Arliani G, Astur D, Kanas M, Kaleka C, Cohen M. Lesão do ligamento cruzado anterior: tratamento e reabilitação. Perspetivas e tendências atuais. Rev. bras. Ortop, 2012; 47(2).
  5. Mey Y et al. Clinical characteristics of 4355 patients with anterior cruciate ligament injury.Chin Med J (Engl). 2013; 126(23):4487-92.
  6. Ejerhed L, Kartus J, Sernert N, Köhler K, Karlsson J. Patellar tendon or semitendinosus tendon autografts for anterior cruciate ligament reconstruction? A prospective randomized study with a two-year followup. Am J Sports Med, 2003; 31(1):19-25.
  7. Aglietti P, Giron F, Buzzi R, Biddau F, Sasso F.Anterior cruciate ligament reconstruction: bone-patellar tendonbone compared with double semitendinosus and gracilis tendon grafts. A prospective, randomized clinical trial. J Bone Joint Surg Am, 2004; 86(10):2143-55.
  8. Boschin LC, Schuck GF, Oliveira G, Schmiedt I, Schwartsmann CR. Artrotomia” versus” artroscopia: avaliação pós-operatória da reconstrução do ligamento cruzado anterior. Rev Bras Ortop, 2002; 37(1/2):23-30.
  9. McRae S, Leiter J, McCormack R, Old J, Macdonald P.Ipsilateral versus contralateral hamstring grafts in anterior cruciate ligament reconstruction: a prospective randomized trial. J Sports Med, 2013;41(11) :2492-9.
  10. Leys T, Salmon L, Waller A, Linklater J, Pinczewski L. Clinical results and risk factors for reinjury 15 years after anterior cruciate ligament reconstruction: a prospective study of hamstring and patellar tendon grafts. Am J Sports Med, 2012; 40(3):595-605.
  11. Wipfler B, Donner S, Zechmann CM, Springer J, Siebold R, Paessler HH. Anterior cruciate ligament reconstruction using patellar tendon versus hamstring tendon: a prospective comparative study with 9-year follow-up. Arthroscopy, 2011; 27(5):653-65.

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